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Câmara dos deputados decidirão novos espaços para pessoas autistas nos estádios

Por Thiago Lima, Julia Tuccillo - São Paulo

Atualmente, apenas 15 estádios de 39 estádios, de clubes da Série A e B, possuem salas sensoriais.

Um Projeto de Lei que determina espaços inclusivos para pessoas com Transtorno de Espectro Autista (TEA) foi aprovado pela Comissão de Esporte e será analisada pela Câmara dos Deputados. ​

 

O início da visibilidade

No ano de 2022 foi criada a primeira torcida exclusiva para pessoas com Autismo, os "Autistas Alvinegros", formado por torcedores do Corinthians, teve suas primeiras aparições em jogos da equipe feminina do clube. A longa faixa que Juliana Rafael Lopes, fundadores do movimento, levavam aos estádios que o clube jogava, chamava a atenção de quem via. Através dela, começou a reunir pessoas que tinham o diagnóstico, fazendo com que essas pessoas fossem vistas e abrindo espaço para debates fundamentais sobre o direito ao acesso à cultura, lazer e entretenimento adaptados para pessoas autistas.

Um movimento que se iniciou com faixas na arquibancada, foi se expandindo, até ser realizado ações em conjunto com o Sport Club Corinthians Paulista, que se tornou um grande aliado na luta pela inclusão no esporte. Rafael Lopes falou um pouco dessa proximidade da torcida com o clube:

“Já tivemos algumas ações com o clube, não precisamente nos anos de abril, em cada ano a gente está subindo algumas ações, alguns projetos voltados para a área social e para a nosso pessoal. a gente sentiu mais do clube, nos recebeu com abraços e de uma forma acolhedora.”

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Fotos tiradas pelos jornalistas em visitação ao estádio

A parceria entre torcidas

Com a criação dos “Autistas Alvinegros” novas torcidas inclusivas surgiram, como os “Autistas Alviverdes” do Palmeiras, “Sou Tricolor Autista” do São Paulo e o Movimento Santos inclusão. Apesar da rivalidade entre os times, Rafael Lopes fala da união que tem com as outras torcidas, e juntos lutam por uma só causa:

“Nós temos uma relação muito saudável.  Hoje em dia somos amigos, a gente faz muita coisa junto, muitos projetos que a gente fez e participamos de muitos eventos.

 

Inclusive, teve um congresso ano passado, em novembro, que é um dos maiores que tem de autismo, que foi aqui em São Paulo. E a gente conseguiu reunir uma parte do pessoal, das torcidas que vieram de fora. Então, a gente tem um convívio bastante saudável, uma coisa que a gente conseguiu diferenciar de rivalidade entre os clubes. A gente se trata como verdadeiros irmãos mesmo, aqueles que estão de fato lutando pela causa.”

Hoje 37 times entre as Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro possuem uma torcida exclusiva para pessoas com TEA. Juntas elas formam a "ARQUIAUTI",

a União das Primeiras Torcidas Autistas do Brasil.

A inclusão nos estádios: Bem-estar e Lazer

Alguns estádios possuem salas que abafam o som externo, tranquilizando as pessoas que têm mais fragilidade com barulhos. Além de abafar o som, a sala oferece brinquedos e objetos sensoriais. Rafael falou sobre o espaço que a Neo Química Arena oferece:

 

“É um espaço que abafa bastante o ruído externo, então, os autistas que têm um pouco mais de dificuldade nessa questão do ruído, da sensibilidade, eles conseguem ficar tranquilos, de certa maneira, na sala.”

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“As cadeiras do lado de fora também podem acomodar os autistas que têm um pouco mais de autonomia. Então, tem aquela flexibilidade de estar nas cadeiras ou estar na sala. Dispõe de algumas coisas sensoriais, alguns brinquedos interativos para as crianças.”

Acomodação nos estádios do Brasil

No Brasil, cerca de 15 estádios possuem ao menos uma sala sensorial, porém o espaço é oferecido apenas para os torcedores locais. Rafael também disse sobre a acomodação em outros estádios:

“O nosso maior desejo é que mais estádios de futebol tenham esse espaço. Hoje a gente deve ter mais ou menos de 12 a 15 estádios no Brasil que possuem esse espaço, porém, ele é frequentado só por torcedores do clube mandante. E é uma outra coisa que a gente quer mudar. Por exemplo, se o autista jovem negro for jogar no Rio de Janeiro, que ele consiga adentrar o espaço do Maracanã. Se o pessoal do Rio de Janeiro, eles consigam se acomodar no nosso espaço.”

É importante ressaltar que devido aos diferentes níveis da neuro divergência, a área precisa de alguns cuidados a mais em relação a outros setores do estádio, como medidas de acessibilidade sensorial, como salas de descompressão, abafadores de ruído e treinamento das equipes de atendimento.

Estádios que já oferecerem espaços sensoriais

No Brasil são poucos os estádios que possuem uma área reservada para as pessoas com TEA, no total são 15 estádios, sendo eles:

  • Nubank Parque (SP)

  • Neo Química Arena (SP)

  • Morumbis (SP)

  • Couto Pereira (PR)

  • Alfredo Jaconi (RS)

  • Arena do Grêmio (RS)

  • Beira-Rio (RS)

  • Arena Castelão (CE)

  • Mangueirão (PA)

  • Curuzu (PA)

  • Hailé Pinheiro (GO)

  • Maracanã (RJ)

  • Nilton Santos (RJ)

  • Mineirão (MG)

  • Ressaca (SC)

O projeto de Lei
 

No dia 11 de Março, foi aprovada pela Comissão de Esportes no Senado o Projeto de Lei 4.948/2025, que visa tornar obrigatório a criação de espaços inclusivos nos estádios que tiver pelos menos 10 mil lugares, a sala deve ter a capacidade de 2% proporcional a capacidade geral do estádio.

O projeto também inclui regras que os torcedores que forem usufruir precisam seguir, uma delas diz que se o local não for preenchido com pessoas com TEA em até 10 minutos antes do evento, poderá ser liberado para as demais pessoas.

Os ingressos deveram estar disponíveis tanto na bilheteria física, tanto na digital, com prioridade a acompanhante.

Para ter direito ao ingresso, o torcedor deverá mostrar o laudo médico e carteira de identificação da pessoa com TEA (Ciptea).

Por fim, no ambiente não será permitido o uso de sinalizadores e de aparelhos pirotécnicos.

Os estádios também terão regras a cumprir, o espaço deverá seguir os seguintes requisitos:

  • Oferecer, sempre que tecnicamente viável, sala de descompressão ou espaço de regulação sensorial;

  • Permitir entrada e saída diferenciadas para evitar aglomerações;

  • Disponibilizar abafadores de ruído;

  • Fornecer mapa sensorial das instalações;

  • Treinar equipes de atendimento, segurança e bilheteria em protocolos de acolhimento e manejo de crises sensoriais.

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