AUTISMO EM FOCO
Como os espaços de lazer estão se adaptando para se tornarem inclusivos e acessíveis
A inclusão de pessoas com autismo no acesso à cultura e os desafios para tornar esses espaços verdadeiramente acolhedores
O direito e as ações realizadas para garantir o lazer
Ambientes cercados de luzes fortes, sons intensos e grandes multidões fazem parte da experiência em shows, cinemas, estádios e museus. Mas para muitas pessoas com Transtorno do Espectro Autista, esses estímulos podem causar desconforto e sobrecarga sensorial, impedindo a participação em atividades culturais.
Os espaços culturais e de entretenimento têm buscado alternativas para se tornarem mais inclusivos. Algumas iniciativas já estão acontecendo, como reduzir o volume do som, iluminação mais suave, espaços de descompressão e a possibilidade de circulação durante as atividades. Em alguns casos, os locais também oferecem abafadores de ruído e treinamento para funcionários, garantindo que o público tenha uma boa experiência.
A inclusão de pessoas com TEA na cultura é assegurada pela legislação brasileira desde 2012, quando neurodivergentes passaram a ser consideradas pessoas com deficiência, conforme a Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012), que garante acesso à educação inclusiva, atendimento prioritário, entre outros direitos.
Também é garantido por lei que pessoas com Transtorno do Espectro Autista têm direito a atendimento prioritário e a meia-entrada em cinemas, shows, teatros, museus, estádios de futebol, eventos e festivais, e em casos do nível de suporte de TEA, o acompanhante também possuirá.
Acolhimento no Lazer
Para que as leis não fiquem só no papel, a adaptação nos ambientes para se tornarem inclusivos é essencial.
As sessões de cinemas têm ganhado destaque com as sessões azuis, além de salas sensoriais em estádios de futebol e visitas mediadas em museus adaptados para o público neurodivergente.
O Núcleo de Educação do Theatro Municipal de São Paulo, um dos maiores pontos turísticos da capital paulista, em 2025 realizou internamente, junto com os bolsistas do Programa de Jovens Criadores, Pesquisadores e Monitores, um projeto de roteiro com ênfase em pessoas neurodivergentes.
“Um dos processos foi construir um mapa sensorial e de identificação do Theatro Municipal, analisando cada ambiente, verificando suas possíveis limitações e potencialidades, separando em categorias os espaços mais silenciosos ou mais barulhentos, mais escuros ou iluminados, a temperatura ambiente, elencando quais oferecem as condições para o uso como espaço de descompressão.” afirma a coordenadora da área Dayana Correa.
Mas Dayana destaca como tem sido um grande desafio aumentar a participação de pessoas com TEA no espaço: “Ainda temos uma quantidade relativamente pequena nas nossas programações e faz parte do nosso desejo ampliar e abrir cada vez mais as portas, tentando construir um espaço acessível para todos.”
Interatividade Cultural
A acessibilidade é uma questão de direito e ocupação social. Os espaços são importantes para o público e a presença do público nesses espaços também. É o que defende o educador, historiador, professor e especialista de acessibilidade cultural Gregório Sanches:
“Quanto mais se ocupam esses espaços, mais serão discutidas as adaptações estruturais. Os espaços não devem pensar para o público, mas sim com o público.”
Essas mudanças nos espaços aos poucos começam a fazer parte do cotidiano familiar. Rayane, mãe da Lívia, de 10 anos (TEA nível 1), relata que há 10 anos era inviável ir a lugares de lazer e atualmente consegue frequentar sessões de cinema adaptadas com a filha.
“Não tinha tanta inclusão, mas agora é um pouco mais acessível, tem coisas mais adaptadas. Já levei a Lívia em algumas sessões de cinema.”
O especialista Sanches ressaltou dois pontos importantes para que a diversão se torne uma boa experiência:
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Acolhimento dos espaços: A acessibilidade depende da empatia e do treinamento contínuo das equipes para entender as necessidades de cada indivíduo.
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Segurança e Antecipação: Um espaço seguro é aquele que informa o que vai acontecer. Caso ocorram estímulos sensoriais fortes como luzes ou sons, isso deve ser comunicado antecipadamente e o visitante escolherá se quer participar ou não, possuindo alternativas para evitar gatilhos.