Mesmo com o aumento de diagnósticos de crianças com o Transtorno do Espectro Autista, escolas ainda não possuem preparo necessário
Pais e professores relatam falta de apoio por parte das escolas.
Com o avanço da medicina, cada vez mais é comum a presença de crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) em colégios convencionais. A principal pesquisa educacional, o Censo Escolar, realizado em 2025, aponta que aumentou em 44,4% a matrícula de crianças com TEA em escolas regulares, de 636.202 foi para 918.877.
Entretanto, a escassez de investimentos por parte de órgãos públicos perante a essas escolas permanece sendo a principal falha, visto que, mesmo sendo uma pauta atual em nosso país, a educação dessas crianças fica em segundo plano, tornando o assunto cada vez menos relevante, mesmo sendo importante.
Em instituições não especializadas, é essencial a presença de recursos adequados, como um acompanhante terapêutico presente durante as aulas e materiais dinâmicos, que facilitem o processo educacional do aluno, simplificando o período escolar, um espaço essencial para o desenvolvimento de toda criança. O acompanhante terapêutico é um profissional que há poucos anos foi inserido no mercado, a fim de auxiliar o aluno no ambiente educacional, contribuindo com atividades, socialização, parceria com o professor, sem tirar a autoridade dele, e, além disso, ser também suporte emocional do estudante, a depender do nível do espectro.
Em entrevista ao “Peças do Espectro”, a acompanhante terapêutica escolar Isabelly Pereira, 24, contratada pela própria clínica em que o aluno passa, o acompanha numa escola convencional da rede privada. Por ser um ensino estrutural mais antigo, ela afirma que o ideal em uma escola não especializada em Transtorno do Espectro Autista, é essencial atividades individuais para o aluno, como um modelo construtivista, respeitando o ritmo do estudante, construindo uma evolução.
Isabelly destaca a falta de preparo em relação à escola ao esperar que o acompanhante exerça funções do professor, quando, na prática, seu papel é oferecer suporte ao aluno após a explicação do conteúdo.
O jornalista afirma a ausência de atenção por parte da rede de ensino, que, sem a cobrança dos responsáveis, dificilmente a escola toma iniciativas para melhorias.
O jornalista e pai atípico Arthur Jorge, 48, relata a falta de assistência por parte da escola, ressaltando a importância de um acompanhante terapêutico, que, até o momento, a instituição ainda não disponibiliza um profissional, tampouco aceita um por parte da família, afirmando que não é necessário pois o aluno consegue acompanhar o ritmo dos outros estudantes, e, no caso específico do filho de Arthur, apenas as avaliações são adaptadas.
Falta de apoio aos professores
A condição, que possui níveis de suporte do 1 ao 3, costuma deixar professores confusos e sem conseguir exercer a aula como planejada.
Nem toda escola é capaz de disponibilizar suporte adequado, visto que, cada sala de aula da rede pública costuma ter de 20 a 30 alunos e sem material especializado para o auxílio tanto do professor, e principalmente do aluno, dificultando esse processo.
Além da assistência da escola, o docente necessita da contribuição de outros estudantes, porém, sendo uma classe com crianças além do número possível, torna-se inviável o mesmo cuidado do professor com todos os alunos. Há também famílias que não conseguem custear um ambiente especializado, como escolas destinadas a alunos atípicos.
O educador físico Jefferson Silva, 38, atua como professor na rede particular e diretor na rede estadual, e aponta a diferença entre as duas escolas. Na instituição privada, o professor explica que existem mais de 200 alunos com 1 aluno com TEA por sala de aula em média, e na estadual mais de 1300 com 8 alunos com a condição, além do contraste na quantidade de estudantes, há somente material adaptado por iniciativa dos professores.
Em ambas as escolas, o professor afirma a falta de preparo para o cuidado com esses alunos, ressalta que na rede pública há uma sala especializada para “reforço” para esses estudantes e na privada não, porém, ainda assim, a instituição particular consegue atingir mais pontos positivos com as crianças, que, por serem menos alunos, facilita o ambiente escolar.
Entretanto, escolas especializadas possuem um suporte maior para receber esses alunos, visto que, foram criadas exclusivamente para esse fim, trazendo maior visibilidade para a condição, que necessita de um cuidado mais elaborado durante o período escolar.